Capoeira fighter 3 - Joga Online Inserido Monday 15 October 2007 03:07
História da Capoeira (Capoeira) Inserido Monday 08 October 2007 14:31
Dá-se o nome de Capoeira, a um jogo de destreza que tem as suas origens "remotas" em Angola. Era antes uma forma de luta muito valiosa na defesa da liberdade de fato ou de direito do negro liberto, mas tanto a repressão policial quanto as novas condições sociais fizeram com que, à cerca de cem anos, se tornasse finalmente um jogo, uma vadiação entre amigos. Com esse caráter inocente, a capoeira permanece em todos os estados do Brasil.
Tratava-se de um combate singular em que os "moleques de Sinhá", apenas demonstravam sua capacidade de ataque e defesa sem, contudo, atingir efectivamente os oponentes. Foi durante a escravidão que o jogo de Angola começou a crescer e chegou à maioridade no Brasil.
A discussão
é interminável: pesquisadores, folcloristas,
historiadores e africanistas ainda buscam respostas para a seguinte
questão: " A capoeira é uma invenção
africana ou brasileira? " Teria sido uma criação do
escravo com fome de liberdade ? Ou invenção do
indígena? As opiniões tendem para o lado brasileiro,
e aqui vão alguns exemplos: no livro "A Arte da
Gramática de língua mais usada na Costa do Brasil" do
Padre José de Anchieta, editado em 1595, há uma
citação de que "os índios Tupi-Guarani,
divertiam-se jogando capoeira". Guilherme de Almeida no livro
"Música no Brasil", sustenta serem indígenas as
raízes da capoeira. O navegador Português Martim
Afonso de Sousa, observou tribos jogando capoeira. Como se
não bastasse, a palavra "capoeria" ( CAÁPUÉRA
) é um vocábulo Tupi-guarani, que significa "mato
ralo" ou "mato que foi cortado".
Num trabalho que foi
publicado pela XEROX do Brasil, o professor austríaco
Gerhard Kubik, antropólogo e membro da
associação mundial de folclore e profundo conhecedor
de assuntos africanos, diz estranhar " que o brasileiro chame
capoeira de Angola, quando ali não existe nada
semelhante".
Também o
estudioso Waldeloir Rego, que escreveu o que foi considerado o
melhor trabalho sobre este jogo, defende a tese de que a capoeira
foi inventada no Brasil. Brasil Gerson, historiador das ruas do Rio
de Janeiro, acha que o jogo nasceu no mercado, quando os escravos
chegavam com cesto (capoeira) de aves na cabeça e até
serem atendidos, ficavam brincando de lutar, surgindo daí a
verdadeira capoeira. Antenor Nascente, diz que a luta da capoeira
está ligada à ave Uru (odontophorus capueira-spix),
cujo macho é muito ciumento e trava lutas violentas com o
rival que ousa entrar em seus domínios (os movimentos da
luta se assemelham aos da capoeira). Por fim, Câmara Cascudo,
afirma "ter sido trazida pelos banto-congo-angoleses que praticavam
danças litúrgicas ao som de instrumentos de
percussão" transformando-se em lutas aqui, no Brasil, devido
à necessidade de defesa destes negros!
Ouviu-se falar de
capoeira pela primeira vez, durante as invasões holandesas
de 1624, quando os escravos e índios, (as duas primeiras
vítimas da colonização), aproveitando-se da
confusão gerada, fugiram para as matas. Os negros criaram os
Quilombos, entre os quais o mais famoso Palmares, cujo líder
foi Zumbi, guerreiro e estrategista invencível diz a lenda,
diz ter sido capoeira. Após esta época, houve um
período obscuro e no renascimento do século XIX,
transformou-se em um fenômeno social, que tomou conta de
centros urbanos como o Rio de Janeiro, Salvador e
Recife.
As maltas de
capoeiristas inquietavam os cidadãos pacatos do Rio de
Janeiro, e se tornavam um problema para os vice-reis.
Espalhavam-se pela
cidade, acabando com festas, colocando a polícia para
correr, tirando a teima dos valentões... defendiam sua
precária liberdade, ora empregando apenas agilidade
muscular, ora valendo-se de cacetes de facas. Foi então que
apareceu o major Vidigal, chefe da polícia do Rio de
Janeiro, nos começos do século XX: um diabo de homem
que parecia estar em toda a parte com seus granadeiros armados de
longos chicotes, protegidos pela distância na qual mantinham
os capoeiristas e os podiam ofender a salvo.
A literatura de
Machado de Assis e a arte de Debret, registravam a presença
da capoeira nos costumes da época. Os capoeiristas viviam em
"maltas", verdadeiros bandos que recebiam apelidos como "guaiamus"
ou "nagôs". As "maltas", tiveram participação
ativa em fatos históricos como: a revolta dos
mercenários (soldados estrangeiros contratados para a guerra
do Paraguai se rebelaram e foram rechaçados pelos
capoeiristas), nas escaramuças entre monarquistas e
republicanos e até na Proclamação da
República. As maltas da Bahia foram desorganizadas por
ocasião da guerra do Paraguai: o governo da
província, recrutou a força dos capoeiras, que fez
seguir para o sul como "voluntários da
pátria".
Manuel Querino,
conta que muitos deles se distinguiram por atos de bravura no campo
de batalha. Quando brigavam entre si, o grito de guerra assustava
os estanhos ao ramo: "fêcha, fêcha!" significava o
início de briga e ai de quem estivesse por perto.
Consta que a guarda
pessoal de José do Patrocínio e do próprio
imperador de D. Pedro I, era formada por capoeiristas. Esse
prestígio começou a cair com as leis abolicionistas:
sem aptidão de qualquer espécie, uma massa humana
disputava mercados de trabalho inexistentes. O jogo corporificou-se
como instituição perniciosa e sua
extinção passou a ser a palavra de ordem. As maltas
converteram-se em grupos poderosos de proteção a
negócios escusos e à audácia culminou com
Decreto-lei 487, decretado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em
1890: a partir do dia 11 de outubro, todo o capoeirista pego em
flagrante seria desterrado para a Ilha Fernando de Noronha por um
período de seis meses.
Ainda assim, a
capoeira mostrou sua força: ao ser detido um de seus mais
temíveis praticantes, o nobre português José
Elísio dos Reis ( Juca Reis ), preso por Sampaio Ferraz. O
governo republicano sofreu sua primeira crise ministerial. Juca
Reis era nada menos do que irmão do Conde de Matosinhos,
dono do jornal "O País", o mais ferrenho defensor da causa
republicana. Nas páginas do jornal, Quintino Bocaiúva
defendeu com unhas e dentes a liberdade de Juca e o governo do
Marechal foi obrigado a voltar atrás: ele acabou retornando
para Portugal.
O mais famoso dos
capoeiristas nacionais era natural de Santo Amaro, na zona
canavieira da Bahia, e tinha os apelidos de Besouro Venenoso e
Mangangá. Era invencível e inigualável. Ainda
hoje as chulas da capoeira cantam suas proezas lendárias. A
hora final chegou para as maltas do Recife mais ou menos em 1912,
coincidindo com o nascimento do Passo do frevo, legado da
capoeira.















